domingo, 29 de Novembro de 2009
Este blogue encontra-se encerrado por motivo de reflexões.
_
Senza parole per Ringraziarvi...
_
Ad Venitum.
quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
(in Viagem, de Cecília Meireles, 1939)
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
domingo, 8 de Novembro de 2009
sábado, 7 de Novembro de 2009
Adagio
O outono é isto -
apodrecer de um fruto
entre folhas esquecido.
Água escorrendo,
quem sabe donde,
ocasional e fria
e sem sentido.
apodrecer de um fruto
entre folhas esquecido.
Água escorrendo,
quem sabe donde,
ocasional e fria
e sem sentido.
( de Eugénio de Andrade, algures entre 1940 e 1944)
sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Octobre
C'est en vain que je vois les arbres toujours verts.
Qu'une funèbre brume l'ensevelisse, ou que la longue sérénité du ciel l'efface, l'an n'est pas d'un jour moins près du fatal solstice. Ni ce soleil ne me déçoit, ni l'opulence au loin de la contrée; voici je ne sais quoi de trop calme, un repos tel que le réveil est exclu. Le grillon à peine a commencé son cri qu'il s'arrête; de peur d'excéder parmi la plénitude qui est seul manque du droit de parler, et l'on dirait que seulement dans la solennelle sécurité des ces campagnes d'or il soit licite de pénétrer d'un pied nu. Non, ceci qui est derrière moi sur l'immense moissonne jette plus la même lumière, et selon que le chemin m'emmène par la paille, soit qu'ici je tourne le coin d'une mare, soit que je découvre un village, m'éloignant du soleil, je tourne mon visagevers cette lune large et pâle qu'on voit pendant le jour.
Ce fut au moment de sortir des graves oliviers, où je vis s'ouvrir devant moi la plaine radieuse jusqu'aux barrières de la montagne, que le mot d'introduction me fut communiqué. Ô derniers fruits d'une saison condamnée ! dans cet achèvement du jour, maturité suprême de l'année irrévocable. C'en est fait.
Les mains impatientes de l'hiver ne viendront point dépouiller la terre avec barbarie. Point de vents qui arrachent, point de coupantes gelées, point d'eaux qui noient. Mais plus tendrement qu'en mai, ou lorsque l'insatiable juin adhère à la source de la vie dans la possession de la douzième heure, le Ciel sourit à la Terre avec un ineffable amour. Voici, comme un coeur qui cède à un conseil continuel, le consentement ; le grain se sépare de l'épi, le fruit quitte l'arbre, la Terre fait petit à petit délaissement à l'invincible solliciteur de tout, la mort desserre une main trop pleine ! Cette parole qu'elle entend maintenant est plus sainte que celle du jour de ses noces, plus profonde, plus tendre, plus riche : C'en est fait ! L'oiseau dort, l'arbre s'endort dans l'ombre qui l'atteint, le soleil au niveau du sol le couvre d'un rayon égal, le jour est fini, l'année est consommée. À la céleste interrogation cette réponse amoureusement C'en est fait est répondue.
Qu'une funèbre brume l'ensevelisse, ou que la longue sérénité du ciel l'efface, l'an n'est pas d'un jour moins près du fatal solstice. Ni ce soleil ne me déçoit, ni l'opulence au loin de la contrée; voici je ne sais quoi de trop calme, un repos tel que le réveil est exclu. Le grillon à peine a commencé son cri qu'il s'arrête; de peur d'excéder parmi la plénitude qui est seul manque du droit de parler, et l'on dirait que seulement dans la solennelle sécurité des ces campagnes d'or il soit licite de pénétrer d'un pied nu. Non, ceci qui est derrière moi sur l'immense moissonne jette plus la même lumière, et selon que le chemin m'emmène par la paille, soit qu'ici je tourne le coin d'une mare, soit que je découvre un village, m'éloignant du soleil, je tourne mon visagevers cette lune large et pâle qu'on voit pendant le jour.
Ce fut au moment de sortir des graves oliviers, où je vis s'ouvrir devant moi la plaine radieuse jusqu'aux barrières de la montagne, que le mot d'introduction me fut communiqué. Ô derniers fruits d'une saison condamnée ! dans cet achèvement du jour, maturité suprême de l'année irrévocable. C'en est fait.
Les mains impatientes de l'hiver ne viendront point dépouiller la terre avec barbarie. Point de vents qui arrachent, point de coupantes gelées, point d'eaux qui noient. Mais plus tendrement qu'en mai, ou lorsque l'insatiable juin adhère à la source de la vie dans la possession de la douzième heure, le Ciel sourit à la Terre avec un ineffable amour. Voici, comme un coeur qui cède à un conseil continuel, le consentement ; le grain se sépare de l'épi, le fruit quitte l'arbre, la Terre fait petit à petit délaissement à l'invincible solliciteur de tout, la mort desserre une main trop pleine ! Cette parole qu'elle entend maintenant est plus sainte que celle du jour de ses noces, plus profonde, plus tendre, plus riche : C'en est fait ! L'oiseau dort, l'arbre s'endort dans l'ombre qui l'atteint, le soleil au niveau du sol le couvre d'un rayon égal, le jour est fini, l'année est consommée. À la céleste interrogation cette réponse amoureusement C'en est fait est répondue.
(in Connaissance de l'Est, de Paul Claudel, 1896)
quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Sempre a sombra dessa Espada que nunca tiveste...!
Essa tua ânsia de sangrar, de consumires-te em ais!
Bahh! Basta!
Não te suporto mais!
E é tudo assim, sempre assim, porque nunca te dignaste fazer nada!
Cala-te que agora falo eu!
E escusas de estar para aí a esvaíres-te em prantos inúteis porque já não me comoves!
Sempre te limitaste a querer e isso não é o suficiente! Bem sei, reconheço-o, que jamais o fizeste às três pancadas; jamais desejaste algo sem realmente o sentires. Mas, digo-to e repito-to, não chega!
Se, ao menos, tentasses forjar uma Excalibur, ou uma como a de Nun'Álvares... ou como aquela que arrancou a orelha ao van Gogh que fosse...
Mas é vão! Não irás mudar!
Também, poque haverias tu de mudar? Sentes-te bem assim, a sofrer, não é?
Pois claro!, concordas, como não poderia deixar de ser...
É inútil esta conversa!
Odeio-te!
Toca o órgão, cai o pano!
BASTA!!!
Vou experimentar fazer como o teu adorado Sá-Carneiro: deixar-te "No lavabo dum Café,/ Como um anel esquecido."!, que outro fim não mereces! Que me dizes?
Essa tua ânsia de sangrar, de consumires-te em ais!
Bahh! Basta!
Não te suporto mais!
E é tudo assim, sempre assim, porque nunca te dignaste fazer nada!
Cala-te que agora falo eu!
E escusas de estar para aí a esvaíres-te em prantos inúteis porque já não me comoves!
Sempre te limitaste a querer e isso não é o suficiente! Bem sei, reconheço-o, que jamais o fizeste às três pancadas; jamais desejaste algo sem realmente o sentires. Mas, digo-to e repito-to, não chega!
Se, ao menos, tentasses forjar uma Excalibur, ou uma como a de Nun'Álvares... ou como aquela que arrancou a orelha ao van Gogh que fosse...
Mas é vão! Não irás mudar!
Também, poque haverias tu de mudar? Sentes-te bem assim, a sofrer, não é?
Pois claro!, concordas, como não poderia deixar de ser...
É inútil esta conversa!
Odeio-te!
Toca o órgão, cai o pano!
BASTA!!!
Vou experimentar fazer como o teu adorado Sá-Carneiro: deixar-te "No lavabo dum Café,/ Como um anel esquecido."!, que outro fim não mereces! Que me dizes?
segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
O Resgate
A última ilusão foi partir os espelhos –
E nas salas ducais, os frisos das esculturas
Desfizeram-se em pó... Todas as bordaduras
Caíram de repente aos reposteiros velhos.
Atónito, parei na grande escadaria
Olhando as destroçadas, imperiais riquezas...
Dos lustres de cristal – as velas d'ouro, acesas,
Quebravam-se também sobre a tapeçaria...
Rasgavam-se cetins, abatiam-se escudos;
Estalavam de cor os grifos dos ornatos.
Pelas molduras d'honra, os lendários retratos
Sumiam-se de medo, a roçagar veludos...
Doido! Trazer ali os meus desdéns crispados!...
Tectos e frescos, pouco a pouco, enegreciam;
Panos de Arrás do que não-Fui emurcheciam –
Velavam-se brasões, subitamente errados...
Então, eu mesmo fui trancar todas as portas;
Fechei-me a Bronze eterno em meus salões ruídos...
- Se arranho o meu despeito entre vidros partidos,
Estilizei em Mim as douraduras mortas!
E nas salas ducais, os frisos das esculturas
Desfizeram-se em pó... Todas as bordaduras
Caíram de repente aos reposteiros velhos.
Atónito, parei na grande escadaria
Olhando as destroçadas, imperiais riquezas...
Dos lustres de cristal – as velas d'ouro, acesas,
Quebravam-se também sobre a tapeçaria...
Rasgavam-se cetins, abatiam-se escudos;
Estalavam de cor os grifos dos ornatos.
Pelas molduras d'honra, os lendários retratos
Sumiam-se de medo, a roçagar veludos...
Doido! Trazer ali os meus desdéns crispados!...
Tectos e frescos, pouco a pouco, enegreciam;
Panos de Arrás do que não-Fui emurcheciam –
Velavam-se brasões, subitamente errados...
Então, eu mesmo fui trancar todas as portas;
Fechei-me a Bronze eterno em meus salões ruídos...
- Se arranho o meu despeito entre vidros partidos,
Estilizei em Mim as douraduras mortas!
Camarate - Quinta da Vitória
outubro 1914.
in Indícios de Oiro, de Mário de Sá-Carneiro
O Regresso...?
quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
domingo, 11 de Outubro de 2009
Manuel - Madalena... senhora! Todas estas coisas são já indignas de nós. Até ontem, a nossa desculpa, para com Deus e para com os homens, estava na boa fé e seguridade de nossas consciências. Essa acabou. Para nós já não há senão estas mortalhas (tomando os hábitos de cima da banca) e a sepultura dum claustro. A resolução que tomámos é a única possível; e já não há que voltar atrás... Ainda ontem falávamos dos condes de Vimioso... Quem nos diria... oh, incompreesíveis mistérios de Deus!... Ânimo, e ponhamos os olhos naquela cruz! Pela última vez, Madalena... pela derradeira vez neste mundo, querida... (Vai para a abraçar e recua). Adeus, adeus! (Foge precipitadamente pela porta da esquerda).
in Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett
segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Valete, Fratres.
in Mensagem, de Fernando Pessoa

Hoje, por volta das 00.20, estava eu no Largo de Camões, começaram a ouvir-se, vindos da Rua do Alecrim, vivas entusiastas a algo que ainda não se conseguia entender. Eu, imaginando já do que se tratava, levantei-me do banco em que me houvera sentado a conversar e fui debruçar-me na grade de ferro, virado para a dita rua. Vejo, logo, a aproximar-se cada vez mais, um feixe de bandeiras azuis-e-brancas a subir a do Alecrim. Uma imensidade de jovens guiavam o ajuntamento que estancou no Largo, frente ao edifício da Real Associação de Lisboa.
"Viva Portugal!" - "Viva!" - "Viva o Rei!" - "Viva!" : ouvia-se, das gargantas inflamadas e repletas de convicção de tanta rapaziada nova.
Depois de gritar um dos "Viva!", retirei-me, pois quem me conhece sabe que não sou muito de gritar em público...
Com a provecta idade de 99 anos, a instituição caduca da mamalhuda só pode estar já com a biqueira da bota a roçar a soleira da porta... Sim, porque ninguém tem já digestão que aguente olhar um seio de tal idade a transvazar um tão mal amanhado decote!
E macacos me mordam se esse peito indiscreto mais aquele barrete frígio não vierem, ainda, a expiar o sangue que derramaram a inocentes!
E "Viva Portugal!, Viva o Rei!"!
domingo, 4 de Outubro de 2009
Oh! Là là!
[...] J'aimais la vie; elle me déteste; j'en meurs. Je ne vous conseille pas d'imiter mes rêves. La mort y corne des cartes, y jette du linge sale, y couvre les murs de signatures illisibles, de déssins dégoûtants. Le lendemain, je suis le personage à clef d'une histoire étonnante qui se passe au ciel.
in Opéra, de Jean Cocteau, 1927
sábado, 26 de Setembro de 2009
«O Meu "Après un Rêve"», «O Dia em que Te Casaste com o Sol», «Disparates - II» ou, simplesmente, « »
Só a Lua velava do alto do céu e, contudo, jamais brilhara tanto dia algum.
Ias fundir-te com o Sol!
De resto, era esse o teu único destino possível; e lá estavas, junto d'Ele, no único altar suficientemente rodiano para semelhante união: aquele que, em Tempos, eu te sagrara, que erguera em mármores de um olimpo inatingível com a doçura de água que escorre, e que, devotadamente, hora a hora, ia cobrindo das mais incríveis flores colhidas em terras onde não existiam, uma a uma regadas com lágrimas que eram - sei-o hoje - a seiva dos beijos que não te dava.
E não saberes que era Nosso esse altar; e eu que não to dizia...
Pois ainda bem que o não disse! Afinal imortalizar-te-ias, hoje, toda feita luz! Porque, cria, bastava-me isso: saber-te luz!
Não sei, entretanto, o que sucedeu, que, antes do vosso glorioso "Sim" - tão banal e soez nas outras bocas -, golpe de ar que, acaso, por ti passou, olhaste em redor, e creio bem teres-me visto: linha de ouro da carpette já coçada, pétala branca de uma camélia desfolhada...!
__________
Por força de uma lágrima que escorria, acordei;... mas estava escuro, muito escuro... - o Sol ainda não despontara...
Cerrei os olhos e voltei a dormir.
Ias fundir-te com o Sol!
De resto, era esse o teu único destino possível; e lá estavas, junto d'Ele, no único altar suficientemente rodiano para semelhante união: aquele que, em Tempos, eu te sagrara, que erguera em mármores de um olimpo inatingível com a doçura de água que escorre, e que, devotadamente, hora a hora, ia cobrindo das mais incríveis flores colhidas em terras onde não existiam, uma a uma regadas com lágrimas que eram - sei-o hoje - a seiva dos beijos que não te dava.
E não saberes que era Nosso esse altar; e eu que não to dizia...
Pois ainda bem que o não disse! Afinal imortalizar-te-ias, hoje, toda feita luz! Porque, cria, bastava-me isso: saber-te luz!
Não sei, entretanto, o que sucedeu, que, antes do vosso glorioso "Sim" - tão banal e soez nas outras bocas -, golpe de ar que, acaso, por ti passou, olhaste em redor, e creio bem teres-me visto: linha de ouro da carpette já coçada, pétala branca de uma camélia desfolhada...!
__________
Por força de uma lágrima que escorria, acordei;... mas estava escuro, muito escuro... - o Sol ainda não despontara...
Cerrei os olhos e voltei a dormir.
quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
Flower of Love
Sweet, I blame you not, for mine the fault
was, had I not been made of common clay
I had climbed the higher heights unclimbed
yet, seen the fuller air, the larger day.
From the wildness of my wasted passion I had
struck a better, clearer song,
Lit some lighter light of freer freedom, battled
with some Hydra-headed wrong.
Had my lips been smitten into music by the
kisses that but made them bleed,
You had walked with Bice and the angels on
that verdant and enamelled mead.
I had trod the road which Dante treading saw
the suns of seven circles shine,
Ay! perchance had seen the heavens opening,
as they opened to the Florentine.
And the mighty nations would have crowned
me, who am crownless now and without name,
And some orient dawn had found me kneeling
on the threshold of the House of Fame.
I had sat within that marble circle where the
oldest bard is as the young,
And the pipe is ever dropping honey, and the
lyre's strings are ever strung.
Keats had lifted up his hymeneal curls from out
the poppy-seeded wine,
With ambrosial mouth had kissed my forehead,
clasped the hand of noble love in mine.
And at springtide, when the apple-blossoms
brush the burnished bosom of the dove,
Two young lovers lying in an orchard would
have read the story of our love;
Would have read the legend of my passion,
known the bitter secret of my heart,
Kissed as we have kissed, but never parted as
we two are fated now to part.
For the crimson flower of our life is eaten by
the cankerworm of truth,
And no hand can gather up the fallen withered
petals of the rose of youth.
Yet I am not sorry that I loved you - ah!
what else had I a boy to do, -
For the hungry teeth of time devour, and the
silent-footed years pursue.
Rudderless, we drift athwart a tempest, and
when once the storm of youth is past,
Without lyre, without lute or chorus, Death
the silent pilot comes at last.
And within the grave there is no pleasure,
for the blindworm battens on the root,
And Desire shudders into ashes, and the tree
of Passion bears no fruit.
Ah! what else had I to do but love you?
God's own mother was less dear to me,
And less dear the Cytheraean rising like an
argent lily from the sea.
I have made my choice, have lived my
poems, and, though youth is gone in wasted days,
I have found the lover's crown of myrtle better
than the poet's crown of bays.
was, had I not been made of common clay
I had climbed the higher heights unclimbed
yet, seen the fuller air, the larger day.
From the wildness of my wasted passion I had
struck a better, clearer song,
Lit some lighter light of freer freedom, battled
with some Hydra-headed wrong.
Had my lips been smitten into music by the
kisses that but made them bleed,
You had walked with Bice and the angels on
that verdant and enamelled mead.
I had trod the road which Dante treading saw
the suns of seven circles shine,
Ay! perchance had seen the heavens opening,
as they opened to the Florentine.
And the mighty nations would have crowned
me, who am crownless now and without name,
And some orient dawn had found me kneeling
on the threshold of the House of Fame.
I had sat within that marble circle where the
oldest bard is as the young,
And the pipe is ever dropping honey, and the
lyre's strings are ever strung.
Keats had lifted up his hymeneal curls from out
the poppy-seeded wine,
With ambrosial mouth had kissed my forehead,
clasped the hand of noble love in mine.
And at springtide, when the apple-blossoms
brush the burnished bosom of the dove,
Two young lovers lying in an orchard would
have read the story of our love;
Would have read the legend of my passion,
known the bitter secret of my heart,
Kissed as we have kissed, but never parted as
we two are fated now to part.
For the crimson flower of our life is eaten by
the cankerworm of truth,
And no hand can gather up the fallen withered
petals of the rose of youth.
Yet I am not sorry that I loved you - ah!
what else had I a boy to do, -
For the hungry teeth of time devour, and the
silent-footed years pursue.
Rudderless, we drift athwart a tempest, and
when once the storm of youth is past,
Without lyre, without lute or chorus, Death
the silent pilot comes at last.
And within the grave there is no pleasure,
for the blindworm battens on the root,
And Desire shudders into ashes, and the tree
of Passion bears no fruit.
Ah! what else had I to do but love you?
God's own mother was less dear to me,
And less dear the Cytheraean rising like an
argent lily from the sea.
I have made my choice, have lived my
poems, and, though youth is gone in wasted days,
I have found the lover's crown of myrtle better
than the poet's crown of bays.
De Oscar Wilde, 1881
quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
Canção com Gaivotas de Bremeo
É março ou abril?
É um dia de sol
perto do mar,
é um dia
em que todo o meu sangue
é orvalho e carícia.
De que cor te vestiste?
De madrugada ou limão?
Que nuvens olhas, ou colinas
altas,
enquanto afastas o rosto
das palavras que escrevo
de pé, exigindo
o teu amor?
É um dia de maio?
É um dia em que tropeço
no ar
à procura do azul dos teus olhos,
em que a tua voz,
dentro de mim, pergunta,
insiste:
Se te fué la melancolia,
amigo mío del alma?
É junho? É setembro?
É um dia
em que estou carregado de ti
ou de frutos,
e tropeço na luz, como um cego,
a procurar-te.
É um dia de sol
perto do mar,
é um dia
em que todo o meu sangue
é orvalho e carícia.
De que cor te vestiste?
De madrugada ou limão?
Que nuvens olhas, ou colinas
altas,
enquanto afastas o rosto
das palavras que escrevo
de pé, exigindo
o teu amor?
É um dia de maio?
É um dia em que tropeço
no ar
à procura do azul dos teus olhos,
em que a tua voz,
dentro de mim, pergunta,
insiste:
Se te fué la melancolia,
amigo mío del alma?
É junho? É setembro?
É um dia
em que estou carregado de ti
ou de frutos,
e tropeço na luz, como um cego,
a procurar-te.
in Mar de Setembro, de Eugénio de Andrade, 1959-1963
segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
Que pode uma criatura senão,
entre outras criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
entre outras criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
(de Carlos Drummond de Andrade)
Cheira-me que há qualquer coisa a mais neste poema,
digo eu...
segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Disparates
Acordei com o primeiro sopro da fresca aragem que começa a levantar-se nessas horas em que o langor da luz do sol-posto alentejano - tingido, por escassos instantes, do lilás da flor dos poejos - pesa sobre os olhos como em almas se engolfam ébrias paixões que nada mais fazem senão torná-las mártires.
À minha frente, uma espiga que terá ficado por ceifar trouxe-me, nos seus já vagos reflexos de ouro, saudades de uma Espada que não tive; a tinta do céu, a recordação-desejo de uns lábios cuja seiva poderia ser (ah! - se meus fossem!), incessantemente, a única mortalha a envolver-me o corpo.
- E as vezes que, embalado em ternuras, tenho adormecido sobre esse rosto - o rosto em que talharam esses lábios...
À minha frente, uma espiga que terá ficado por ceifar trouxe-me, nos seus já vagos reflexos de ouro, saudades de uma Espada que não tive; a tinta do céu, a recordação-desejo de uns lábios cuja seiva poderia ser (ah! - se meus fossem!), incessantemente, a única mortalha a envolver-me o corpo.
- E as vezes que, embalado em ternuras, tenho adormecido sobre esse rosto - o rosto em que talharam esses lábios...
segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Sem Título I
Ora aqui está a preciosidade que um dos leitores teve a gentileza de sugerir.
Um dos puros exemplos de Fragmento de Obra d'Arte, em toda a sua extensão! Não basta a página composta ser de uma lirismo inacreditável e de uma intensidade expressiva arrasadora, como a interpretação é, realmente, inexcedível.
Sem dúvida, escassos, mas indescritíveis minutos de Beleza, nos quais não hesitaríamos condensar toda a nossa existência!
domingo, 12 de Julho de 2009
Em resposta aos comentários do último 'post'
- Tão somente para manifestar o meu agradecimento pela clemência dos caríssimos leitores perante a minha tremenda falta.
- Colocarei, em 'post', a referida "pérola", a qual, desde já, muito agradeço. Já a tinha visto, uma vez, em DVD, mas foi um excelente recordar de uma interpretação que sempre admirei, e que tenho mesmo de adquirir.
- Por último, e em resposta directa ao 4º comentário, é um prazer que tão ilustres personalidades - pessoas que têm nas mãos parte do destino das Artes - vão dando as suas espreitadelas a este blogue.
(Acabado de reler o que atrás escrevi, reparei que está enfadonho até não poder mais... Paciência! Mas, em suma ao último ponto, Bem-Vindo!!)
quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Divindades da Direcção XI
(à guarda de eventuais dúvidas que possam persistir,
garanto que as numerações destes 'posts'
não são baseadas em critério
absolutamente nenhum.
Mas também concordo com a grande falha
que é Kleiber aparecer, aqui,
tão tardiamente.)
terça-feira, 30 de Junho de 2009
da 'Canção da Saudade'
"[...] Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi.
Se eu fosse cego amava toda a gente."
Se eu fosse cego amava toda a gente."
(in Frisos, de Almada Negreiros)
quinta-feira, 25 de Junho de 2009
segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Grain de Sable de Mon Salut
A force d'être claire et de donner à boire
Comme on ouvre la main pour libérer une aile
A force d'être partagée et réunie
Comme une bouche qui s'amasse ou qui frissonne
Comme une langue de raison qui s'abandonne
Deux bras qui s'ouvrent qui se ferment
Faisant le jour faisant la nuit et rallumant
Un feu qui couvre mille enfants perdus d'espoir
A force d'incarner la nature fidèle
Forte comme un fruit mûr faible comme une aurore
Débordant des saisons et recouvrant des hommes
A force d'être comme un pré qui hume l'eau
Qui donne à boire à son terrain de haute essence
Innocent attendant un pas balbutiant
Comme un travail et comme un jeau comme un calcul
Faux jusqu'à l'os comme un cadeau et comme un rapt
A force d'être si patiente et souple et droite
A force de mêler le blé de la lumière
Aux caresses des chairs de la terre à minuit
A midi sans savoir si la vie est valable
Tu m'as ouvert un jour de plus est-ce aujourd'hui
Est-ce demain Toujours est nul Jamais n'est pas
Et tu risques de vivre aux dépens de toi-même
Moins que moi qui descends d'un autre et du néant.
Comme on ouvre la main pour libérer une aile
A force d'être partagée et réunie
Comme une bouche qui s'amasse ou qui frissonne
Comme une langue de raison qui s'abandonne
Deux bras qui s'ouvrent qui se ferment
Faisant le jour faisant la nuit et rallumant
Un feu qui couvre mille enfants perdus d'espoir
A force d'incarner la nature fidèle
Forte comme un fruit mûr faible comme une aurore
Débordant des saisons et recouvrant des hommes
A force d'être comme un pré qui hume l'eau
Qui donne à boire à son terrain de haute essence
Innocent attendant un pas balbutiant
Comme un travail et comme un jeau comme un calcul
Faux jusqu'à l'os comme un cadeau et comme un rapt
A force d'être si patiente et souple et droite
A force de mêler le blé de la lumière
Aux caresses des chairs de la terre à minuit
A midi sans savoir si la vie est valable
Tu m'as ouvert un jour de plus est-ce aujourd'hui
Est-ce demain Toujours est nul Jamais n'est pas
Et tu risques de vivre aux dépens de toi-même
Moins que moi qui descends d'un autre et du néant.
(in Corps mémorable, de Paul Éluard, 1948)
sábado, 20 de Junho de 2009
quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)






Mais Uma...!